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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

CONTEÚDO DE FILOSOFIA - 2° ANO - A DOMINAÇÃO PELA IDEOLOGIA - 3° BIMESTRE

A DOMINAÇÃO PELA IDEOLOGIA
O poder atinge e modifica todos os níveis de relação social. Está pre­sente nas relações entre sexos, entre empresas, entre classes, entre nações. A dominação social — a capacidade de exercer influência sobre as situações sociais — depende dos objetivos das classes e grupos que detêm o poder po­lítico, e assume diversas formas e métodos para manter esse poder: violên­cia, coação, pressão, propaganda, persuasão. A dominação tem na ideologia um recurso para suavizar a imposição social. Ela justifica a dominação/subor­dinação. A sujeição a um grupo, ou a admissão da supremacia de uma etnia sobre outra, ou a aceitação de uma doutrina (política ou religiosa) como "a verdade" acontece na medida em que as classes justificam o seu ter, o seu fazer, o seu ser social.
A classe dominante impõe a sua visão de mundo como "a realidade" dos fatos. Mas ela também é influenciada pela ideologia. Ao universalizar a particularidade de sua posição social, a classe dominante aceita como "na­tural" a sua dominação, a tal ponto que a ordem estabelecida (establishment) não lhe parece ser ideologia. Prevalecem, pois, os interesses dos que domi­nam, seja na aplicação das leis, seja no uso e investimento dos recursos públicos.
Nesta era da racionalidade tecnológica, a ciência e a técnica têm facili­tado novas formas de dominação, legítimando-as. Ambas impõem-se como ideologia, segundo o filósofo Habermas*. A ciência moderna gera um saber tecnicamente manipulável, destinado a fins políticos e pragmáticos. Desse modo, cresceu a interdependência entre ciência e técnica, aumentou a ação intervencionista do Estado na economia e ocorreu a despolitização das mas­sas. Pelo avanço técnico-científico, o progresso material é alcançado e tem alimentado a ideologia do desenvolvimento das nações.
A indústria publicitária, por exemplo, usa métodos persuasivos para anunciar roupas, aparelhos eletrônicos, ou mesmo alimentos. Cria um am­biente propício para o consumidor identificar-se e, assim, desejar possuir al­go que satisfaça sua necessidade de vestir-se, informar-se ou alimentar-se, ao mesmo tempo em que, supostamente, suprirá, também, alguma carência ínti­ma, afetiva ou social. Na prática, mais uma venda é realizada, e o consumi­dor não percebe o processo de persuasão nela embutido.
A ideologia é, assim, o comprometimento da consciência social em pro­veito da classe no poder. é um fenómeno tão complexo que até Aristóteles*, um dos maiores filósofos de todos os tempos, justificava a escravidão como necessária para o bom funcionamento da organização social. O trabalho es­cravo possibilitava aos cidadãos tempo livre para se dedicarem à política, à filosofia e às artes. Enquanto os habitantes da polis (cidade) pensavam, os escravos trabalhavam.
As classes que detêm o poder político e económico dominam, também, ideologicamente, conforme diziam Marx* e Engels*. As ideias da classe do­minante tendem a serem as ideias dominantes de uma determinada sociedade e podem estar concentradas, por exemplo, na Constituição dos países. É o caso, por exemplo, do artigo 5 de nossa Constituição: "Todos são iguais perante a lei". Ele faz apenas um reconhecimento teórico da igualdade so­cial. Na prática, sabemos que alguns são "mais iguais" que outros. Ora, como o artigo não faz essa distinção, fica-nos a impressão de que não existem relações sociais desiguais. A ideologia se serve dessa lacuna para mascarar as injustiças do dia-a-dia.
Falamos, também, em "igualdade de oportunidades para todos". Nesse caso, o problema está no acesso de todos a bens e serviços que garantem uma vida digna. Esse acesso depende da repartição da riqueza social gerada pelo trabalho. Mas essa repartição, infelizmente, é desigual, manifestando-se na forma de lucros, rendas e salários.




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